Qualquer velhinha* na fila do banco sabe criar seu filho melhor do que você. No começo você tenta ser gentil e escuta calmamente um ou dois conselhos, agradece e vai embora achando que a coitada só queria ajudar e não é capaz de entender que o seu jeito é o seu jeito e pronto.
Depois de algumas situações semelhantes, você começa a ficar p*. e tenta explicar que faz assim por isso ou por aquilo. Mas o tempo passa e outras velhinhas aparecem pelo caminho com seus bondosos conselhos, só que nessa altura, você já não aguenta mais todo mundo se metendo no SEU jeito de criar SEU filho. Então você começa a se irritar e dá um ou outro fora.
Agora, o tempo passou e você já se acostumou a ouvir todo tipo de besteiras, então chuta o pau da barraca e faz cara de paisagem. Como é bom não se irritar mais com as velhinhas, né?
* Essas velhinhas estão aqui representando todo tipo de gente (outras mães, seus pais, homens e mulheres em geral) que não tem mais o que fazer senão ficar encontrando formas de te dizer que sabem, melhor do que você, como criar o SEU filho.
Diálogo 1: (ainda inocente, dando trela)
- Porque sua filha não come açúcar?
- Porque ela tem só 1 ano e meio, ora.
- E daí? Coitada. É tão gostoso.
- Mas faz muito mal para a saúde. Você não sabe disso?
- Mas todo mundo come e ninguém morreu por causa disso.
- Morreu sim. Muita gente, quase todo mundo morreu por causa disso. Acontece que isso não aparece no atestado de óbito (causa da morte: consumo de açúcar refinado), o que aparece é o nome da doença que o açúcar provocou.
- Mas, mais cedo ou mais tarde ela vai comer. Afinal, você não pode impedir a sua filha de comer açúcar por toda a vida.
- É verdade, não posso. Mas enquanto eu puder, eu o farei. E pode ter certeza que quando eu já não puder impedi-la, ainda poderei orientá-la. Afinal, cabe a mim, que sou mãe, cuidar da saúde e da educação da minha filha.
- Você é muito radical.
- Sou sim. E você também é. Você por acaso ofereceria cocaína para seu filho cheirar?
- É muito diferente, né?
- Não é não. Se você fosse viciado em cocaína como é em açúcar, você diria: ah! Mas é tão gostoso!
- Mas cocaína mata!
- Açúcar refinado mata mais do que cocaína, sabia?
- Não é verdade!
- pesquise sobre o assunto e depois me diga, ainda que você sinta vergonha do seu vício, se não é verdade.
Para amenizar seu sentimento vou ser a primeira a assumir: sou viciada em açúcar. Estou tentando parar, mas cada dia que fico sem açúcar sofro com crises de abstinência, tenho fraqueza e dores de cabeça fortíssimas. Preciso de ajuda. Reconheço que não sou capaz, pelo menos nesse momento, de viver sem açúcar refinado.
- Você é maluca, isso sim!
Diálogo 2: (revertendo o jogo e ficando agressiva)
- É muito mais fácil alimentar sua criancinha com papinhas industrializadas, que ficam num vidrinho durante 1 ano inteiro e não estragam do que comprar legumes, cortar, cozinhar e amassar.
-Mas falta tempo, essa vida moderna…o pediatra falou que é melhor dar a papinha industrializada do que congelar, pois perde os nutrientes.
-Desculpe, mas não posso crer que uma papinha natural congelada tenha menos nutrientes do que uma papinha conservada em vidrinhos por 1 ano inteiro.
- Tem sim, é tudo cientificamente comprovado. Senão eles não venderiam, né?
- Deve ser… Pra que pensar sobre isso? Vai no supermercado, compra lá suas papinhas industrializadas e alimente a sua pequena múmia com muito carinho, pois ela vai precisar. Ah! E não se esqueça, no primeiro sinal de gripe ou dor de barriga, dê logo antibiótico para matar o mal pela raiz. Isso também já foi cientificamente comprovado e muitos pediatras ainda seguem essa cartilha.
Diálogo 3: (Dane-se – desistindo de entender e de se fazer entender)
- Seu filho está na escola?
- Está sim.
- Estou procurando uma escolinha, já visitei várias, mas a que eu mais gostei não vai dar agora. Lá não é creche, é escola. O horário é de escola, acaba muito cedo.
- Ah, não precisa se preocupar tanto com isso agora. Eu queria colocar meu filho na escola tal, que é maravilhosa, mas é mais cara também. O pediatra falou que não precisava trocar de escola agora. Afinal, nessa idade eles só brincam, né? Gastar mais pra que?
- O seu pediatra é formado em educação infantil?
- Não sei, por que?
- Porque desconfio que essa informação esteja errada. Até onde sei, essa fase é a mais importante para o desenvolvimento da criança. Essa idéia de “só brincar” é bastante equivocada. O “só brincar” é a coisa mais importante da vida do seu filho e faz muita diferença a forma como essa “brincadeira” é estimulada.
- Bom, mas foi o pediatra que falou e ele é muito bom pediatra, tá?
- tá. Então tá.
Dialogo 4: (Agora sim, curtindo o momento)
- Meu filho é uma criança super tranquila, fica horas sentadinho, vendo TV. Nem me dá trabalho!
- Poxa, que sorte a sua!
#1 by Aline Pinna on 31/03/2011 - 14:17
Oi, Mari!
ainda não li tudo, mas já me identifico de cara com o primeiro caso: o açúcar…
no caso aqui é complemento alimentar, polivitaminico etc…
Ana só mama no peito, vai fazer 4 meses e toda hora vem uma frase dessas “mas ela não toma nehuma vitamina?” “o filho de fulano toma faz tempo” “quando vai começar com comidinhas etc?” “sabia que tem uma pesquisa nos EUA que fala que só o peito depois de alguns meses não alimenta?” (queria saber onde viram isso).
Ana está linda! Crescendo! Ganhando peso! Tudo normal!
Mãe de primeira viagem tem dúvidas, ok! Mas esse assunto não é o caso!
Muito bom post!
beijinhos
Aline
#2 by ana alcantara on 31/03/2011 - 22:38
Para ilustrar:
http://4.bp.blogspot.com/-VZq6VS6eU8A/TYeYSFzC5oI/AAAAAAAACj8/XL7CaGklah4/s1600/crime.JPG
Beijo