SEBO DA ELEPHAS

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O Elefante

Carlos Drummond de Andrade

Fabrico um elefante
de meus poucos recursos.
Um tanto de madeira
tirado a velhos móveis
talvez lhe dê apoio.
E o encho de algodão,
de paina, de doçura.
A cola vai fixar
suas orelhas pensas.
A tromba se enovela,
é a parte mais feliz
de sua arquitetura.

Mas há também as presas,
dessa matéria pura
que não sei figurar.
Tão alva essa riqueza
a espojar-se nos circos
sem perda ou corrupção.
E há por fim os olhos,
onde se deposita
a parte do elefante
mais fluida e permanente,
alheia a toda fraude.

Eis o meu pobre elefante
pronto para sair
à procura de amigos
num mundo enfastiado
que já não crê em bichos
e duvida das coisas.
Ei-lo, massa imponente
e frágil, que se abana
e move lentamente
a pele costurada
onde há flores de pano
e nuvens, alusões
a um mundo mais poétio
onde o amor reagrupa
as formas naturais.

Vai o meu elefante
pela rua povoada,
mas não o querem ver
nem mesmo para rir
da cauda que ameaça
deixá-lo ir sozinho.

É todo graça, embora
as pernas não ajudem
e seu ventre balofo
se arrisque a desabar
ao mais leve empurrão.
Mostra com elegância
sua mínima vida,
e não há cidade
alma que se disponha
a recolher em si
desse corpo sensível
a fugitiva imagem,
o passo desastrado
mas faminto e tocante.

Mas faminto de seres
e situações patéticas,
de encontros ao luar
no mais profundo oceano,
sob a raiz das árvores
ou no seio das conchas,
de luzes que não cegam
e brilham através
dos troncos mais espessos.
Esse passo que vai
sem esmagar as plantas
no campo de batalha,
à procura de sítios,
segredos, episódios
não contados em livro,
de que apenas o vento,
as folhas, a formiga
reconhecem o talhe,
mas que os homens ignoram,
pois só ousam mostrar-se
sob a paz das cortinas
à pálpebra cerrada.

E já tarde da noite
volta meu elefante,
mas volta fatigado,
as patas vacilantes
se desmancham no pó.
Ele não encontrou
o de que carecia,
o de que carecemos,
eu e meu elefante,
em que amo disfarçar-me.
Exausto de pesquisa,
caiu-lhe o vasto engenho
como simples papel.
A cola se dissolve
e todo o seu conteúdo
de perdão, de carícia,
de pluma, de algodão,
jorra sobre o tapete,
qual mito desmontado.
Amanhã recomeço.

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Estamos Perdidos! (ou uma mãe em pleno surto psicótico) – Parte 1

Qualquer velhinha* na fila do banco sabe criar seu filho melhor do que você. No começo você tenta ser gentil e escuta calmamente um ou dois conselhos, agradece e vai embora achando que a coitada só queria ajudar e não é capaz de entender que o seu jeito é o seu jeito e pronto.

Depois de algumas situações semelhantes, você começa a ficar p*. e tenta explicar que faz assim por isso ou por aquilo. Mas o tempo passa e outras velhinhas aparecem pelo caminho com seus bondosos conselhos, só que nessa altura, você já  não aguenta mais todo mundo se metendo no SEU jeito de criar SEU filho. Então você começa a se irritar e dá um ou outro fora.

Agora, o tempo passou e você já se acostumou a ouvir todo tipo de besteiras, então chuta o pau da barraca e faz cara de paisagem. Como é bom não se irritar mais com as velhinhas, né?

* Essas velhinhas estão aqui representando todo tipo de gente (outras mães, seus pais, homens e mulheres em geral) que não tem mais o que fazer senão ficar encontrando formas de te dizer que sabem, melhor do que você, como criar o SEU filho.

 

 

Diálogo 1: (ainda inocente, dando trela)

- Porque sua filha não come açúcar?

- Porque ela tem só 1 ano e meio, ora.

- E daí? Coitada. É tão gostoso.

- Mas faz muito mal para a saúde. Você não sabe disso?

- Mas todo mundo come e ninguém morreu por causa disso.

- Morreu sim. Muita gente, quase todo mundo morreu por causa disso. Acontece que isso não aparece no atestado de óbito (causa da morte: consumo de açúcar refinado), o que aparece é o nome da doença que o açúcar provocou.

- Mas, mais cedo ou mais tarde ela vai comer. Afinal, você não pode impedir a sua filha de comer açúcar por toda a vida.

- É verdade, não posso. Mas enquanto eu puder, eu o farei. E pode ter certeza que quando eu já não puder impedi-la, ainda poderei orientá-la. Afinal, cabe a mim, que sou mãe, cuidar da saúde e da educação da minha filha.

- Você é muito radical.

- Sou sim. E você também é. Você por acaso ofereceria cocaína para seu filho cheirar?

- É muito diferente, né?

- Não é não. Se você fosse viciado em cocaína como é em açúcar, você diria: ah! Mas é tão gostoso!

- Mas cocaína mata!

- Açúcar refinado mata mais do que cocaína, sabia?

- Não é verdade!

- pesquise sobre o assunto e depois me diga, ainda que você sinta vergonha do seu vício, se não é verdade.

Para amenizar seu sentimento vou ser a primeira a assumir: sou viciada em açúcar. Estou tentando parar, mas cada dia que fico sem açúcar sofro com crises de abstinência, tenho fraqueza e dores de cabeça fortíssimas. Preciso de ajuda. Reconheço que não sou capaz, pelo menos nesse momento, de viver sem açúcar refinado.

- Você é maluca, isso sim!

 

Diálogo 2: (revertendo o jogo e ficando agressiva)

- É muito mais fácil alimentar sua criancinha com papinhas industrializadas, que ficam num vidrinho durante 1 ano inteiro e não estragam do que comprar legumes, cortar, cozinhar e amassar.

-Mas falta tempo, essa vida moderna…o pediatra falou que é melhor dar a papinha industrializada do que congelar, pois perde os nutrientes.

-Desculpe, mas não posso crer que uma papinha natural congelada tenha menos nutrientes do que uma papinha conservada em vidrinhos por 1 ano inteiro.

- Tem sim, é tudo cientificamente comprovado. Senão eles não venderiam, né?

- Deve ser… Pra que pensar sobre isso? Vai no supermercado, compra lá suas papinhas industrializadas e alimente a sua pequena múmia com muito carinho, pois ela vai precisar. Ah! E não se esqueça, no primeiro sinal de gripe ou dor de barriga, dê logo antibiótico para matar o mal pela raiz. Isso também já foi cientificamente comprovado e muitos pediatras ainda seguem essa cartilha.

 

Diálogo 3: (Dane-se – desistindo de entender e de se fazer entender)

- Seu filho está na escola?

- Está sim.

- Estou procurando uma escolinha, já visitei várias, mas a que eu mais gostei não vai dar agora. Lá não é creche, é escola. O horário é de escola, acaba muito cedo.

- Ah, não precisa se preocupar tanto com isso agora. Eu queria colocar meu filho na escola tal, que é maravilhosa, mas é mais cara também. O pediatra falou que não precisava trocar de escola agora. Afinal, nessa idade eles só brincam, né? Gastar mais pra que?

- O seu pediatra é formado em educação infantil?

- Não sei, por que?

- Porque desconfio que essa informação esteja errada. Até onde sei, essa fase é a mais importante para o desenvolvimento da criança. Essa idéia de “só brincar” é bastante equivocada. O “só brincar” é a coisa mais importante da vida do seu filho e faz muita diferença a forma como essa “brincadeira” é estimulada.

- Bom, mas foi o pediatra que falou e ele é muito bom pediatra, tá?

- tá. Então tá.

 

Dialogo 4: (Agora sim, curtindo o momento)

- Meu filho é uma criança super tranquila, fica horas sentadinho, vendo TV. Nem me dá trabalho!

- Poxa, que sorte a sua!

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Estamos Perdidos! (ou uma mãe em pleno surto psicótico) Parte 2

A gente não pensa, faz. As mensagens nos chegam como ordens e somos sim, com toda a certeza, teleguiados. Você pensa que pensa, mas não pensa. Por mais que você se esforce, tem horas, muitas horas em que você não pensa, faz o que lhe é ordenado pelo senso comum, pela mídia, pela lógica sem lógica de uma sociedade esquisitona que é regida por idéias absurdamente loucas e, que se você parar pra pensar, não fazem sentido nenhum. Quer dizer, fazem sentido sim, para impulsionar o mercado de consumo, para enriquecer ainda mais os podres de rico, para perpetuar hábitos, manias, vícios, compulsões em todos nós, gerando energia mais do que suficiente para fazer rodar o motor de um capitalismo corrompido e maluco. É como se fossemos todos uns bêbados sem-noção liderados por um psicopata assassino que esqueceu que também vai morrer pelos mesmos venenos que nos impõem. Nós, pobres crianças inocentes, acreditando na ciência, acreditando nas informações oficiais (de um psicopata assassino) vamos nos deixando levar e, por preguiça de pensar, por preguiça de resistir, sucumbimos.

Entregamos os pontos antes de tentar a resistência. Nós sabemos disso, mas fingimos que não sabemos, fingimos que não é grave, afinal todo mundo faz, né?

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Estamos Perdidos! (ou uma mãe em pleno surto psicótico) Parte 3

Nenhuma escola é perfeita. Eu sei disso. Sei porque procurei, pesquisei, conversei e porque não sou mais tão inocente a ponto de acreditar em tudo que me dizem ou no que está escrito.

Estudei um pouco de educação, li um bocado sobre o tema. Não sei quase nada na verdade, mas sei que o ideal é o ideal e que o real pode até tentar chegar lá, mas não consegue.

Escolhi a dedo a escola da minha filha. Achei uma que atendia a maior parte das minhas expectativas e fizemos a matricula.

A escola é ótima. Minha fofinha gosta muito de lá, tem muitos amigos e me mostra todos os dias as suas pequenas e grandiosas evoluções.

Não acho que eu seja uma mãe padrão, também não sou melhor que as outras, provavelmente pior em muitos quesitos. Mas acho que sou um pouco diferente da maioria. Não sou o tipo de pessoa que aceita o convencional como o melhor. Nunca acreditei piamente em médico algum – sei que eles estudaram medicina, mas é daí? Muitos erram. Obras construídas por engenheiros desabam sobre nossas cabeças e eles estudaram engenharia, pô! Por outro lado, tem gente que nem sabe ler e construiu uma casinha que tá de pé a trocentos anos. Dá o que pensar, né?

Por isso, sou desconfiada e viciada em pesquisa. O médico receitou um remédio, vou eu pra internet, livros, amigos, descobrir mais, entender o mecanismo de ação do medicamento, ver, pensar, analisar os efeitos colaterais, os benefícios…confirmar se a prescrição está correta ou se deixa dúvidas. Na dúvida, o que não falta é médico nesse mundo, uma segunda opinião não faz mal a ninguém e se for preciso, uma terceira opinião pode cair bem.

Sempre fui assim. Agora que sou mãe, só piorei (ou melhorei – depende do ponto de vista). Não dou remédio pra minha filha se eu não estiver totalmente segura da necessidade. Detesto remédios e já cansei de comprovar cientificamente (pela minha própria ciência) que remédio cura aqui e estraga ali. Fica bom da garganta ,mas tem dor de barriga, melhora a dor de barriga e começa a escorrer o nariz, conserta o nariz começa uma alergia…. são os horrores da industria farmacêutica.

Prefiro tratar com alimentos corretos e homeopatia.

Alopatia pra minha filha, só em último caso.

E ela é muito saudável assim.

 

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Estamos Perdidos! (ou uma mãe em pleno surto psicótico) – Parte 4

Ah sim, a escola!

Mas voltando ao tema original, escola pra mim é coisa séria, muito mais séria quando a vítima tem 1 ano de idade. Por isso escolhi uma escola construtivista, mas de verdade. Quero mesmo minha filha aprendendo com prazer, gostando de estudar, compartilhando conhecimento e longe, muito, muito longe dos espaços de competição, de valorização excessiva da aparência, da decoreba, da preocupação exclusiva em tirar notas boas e passar de ano. Eu quero que ela descubra agora, enquanto é criança o que eu só pude descobrir recentemente: que aprender significa construir, somar e não somente absorver conteúdos sem sentido. Quero que ela cresça sabendo que trabalho é prazer, tem que ser prazer, senão não vale a pena. Quero que ela seja capaz de ganhar a vida fazendo o que gosta e que tenha vontade de mudar o mundo pra melhor, que isso a mova mais do que a necessidade de juntar dinheiro e acumular bens.

 

Mas a dura e feia realidade se apresentou e não deu pra ficar nessa escola. Longe de casa, horário curto, mandar um bebê de condução, sem chance.

Chorei, chorei, mas não desisto fácil. Ainda sou movida pelo que acredito, graças a Deus. Optei então por uma escolinha perto de casa, bem pequena, muito acolhedora. Visitei várias vezes, em diferentes horários e em todas as vezes gostei. O defeito que apareceu, foi meu marido que apontou: Tem muitas escadas. A escola é vertical! Pode ser perigoso. Engraçado como tudo depende do ponto de vista, né? Eu acho bom que tenha escadas. Claro que pode ser perigoso, mas pode ser muito positivo as crianças aprenderam a subir e descer escadas e também a respeitarem os perigos da vida. E realmente, elas aprendem. Sempre preferi ensinar a minha filha como fazer do que proibir, simplesmente. Hoje, depois de 2 meses na escola, ela já sabe subir sozinha e descer de mão dada. E o que é melhor, ela sabe seu limite. Para subir, vai embora. Para descer diz: “mão”, e segurando minha mão, desce tranquilinha.

Fico mais tranqüila assim. Reduzimos bastante a chance de um acidente em escadas, pois ela tem noção de seus limites.

 

Mas essa semana eu vi algo assustador no mural da escola. Havia uma circular sobre as atividades de abril, incluindo, na semana da Páscoa, uma caça ao tesouro com moedas de chocolate. Por um instante surtei. Veio de tudo a minha cabeça. Meu Deus! O mundo está mudando, as pessoas deveriam estar preocupadas em voltar um pouco a natureza, a saúde, a leveza… por que não rodelas de cenoura (o coelhinho da Páscoa não devia comer cenouras?) O que afinal o chocolate tem a ver com a Páscoa? Não sei. Todo mundo sabe que na Páscoa se come chocolate até ficar com dor de barriga. Sempre amei a Páscoa por causa disso, e só por causa disso. Mas o mundo mudou, até eu mudei.

Minha filha não come açúcar. Não come por opção minha e, no que depender de mim, vai continuar sem comer, se possível para sempre (tá bem, não vai. Eu sei. Mas vou lutar para que aprenda a ingerir o veneno com moderação e, acima de tudo, consciência).

Já entrei em contato com a nutricionista da escola e, não sei se fico feliz ou triste, mas ela deu a entender que não tinham se tocado disso. Existem outras crianças, além da minha, que não comem açúcar (tem também as que não podem com leite). Outra mãe já havia falado com ela sobre isso. Bom, ela me disse que iria tratar desse assunto na reunião e que daria uma solução para o caso, algo do tipo, chocolate sem açúcar e chocolate sem lactose.

Bom, posso dizer que é satisfatório encontrar uma solução para o caso, ainda que não seja uma solução perfeita (afinal, não existe escola perfeita). Mas posso dizer também que a infeliz idéia de moedas de chocolate, embora pareça inocente, é uma tragédia. Unimos numa só atividade a busca pelo dinheiro – símbolo triste do capitalismo  - procurar por todos os cantos moedas embaladas em papel dourado e a porcaria do chocolate (esse industrializado que tem mais açúcar do que qualquer outro ingrediente), já contribuindo com o vício das pobres e indefesas crianças.

Estou exagerando? Será? São crianças. Precisam mesmo se envolver com dinheiro e com açúcar tão precocemente? Afinal, estamos falando de duas drogas pesadas que aprisionam as criaturas mais bondosas do planeta, tornando-as dependentes capazes de muitas loucuras para conseguir mais e mais…

Devo estar mesmo louca. O mundo é assim, não é? Mais cedo ou mais tarde as inocentes crianças vão ter que conviver com o dinheiro e com o açúcar. Por que não mais tarde? Muito mais tarde? Por que não, antes disso, não prepará-las para lidar com as conseqüências dessas drogas e aí sim, depois, deixar que a vida se encarregue das apresentações e não a escola, e não os pais, e não os avós, que afinal, têm teoricamente a função de educar.

Pronto: voltamos a discussão do conceito de educação!

É, meus amigos, estamos perdidos!

 

Para quem quiser saber mais sobre a droga do açúcar:

- Sugar Blues: o gosto amargo do açúcar – Willian Dufty – editora Ground

- Sem açúcar com afeto – Sonia Hirsch – editora Correcotia

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Repercussões do Livro

A bonita Larissa e o vovô Leonardo lendo a História de Pedro e vovô Zeca

A bonita Larissa e o vovô Leonardo lendo a História de Pedro e vovô Zeca

Larissa curtiu o livro, mas ficou com uma dúvida rondando sua mente:

Considerando que depois da morte a gente vá para o céu, como seriam colocadas as asas de anjinho nas nossas costas? São coladas? Costuradas? Será que dói? Hum…

Taí uma questão a ser pensada…

Eu não sei, não.

Pensei, pensei e acho que talvez elas cresçam nas nossas costas, como os cabelos crescem na cabeça e as unhas nas pontas dos dedos.

Se for assim não dói, Larissa.

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Conversa de elefante é também conversa de criança

Finalmente, depois de uma alegre e nutritiva gestação, chega ao mundo “A História de Pedro e Vovô Zeca”, meu primeiro livro infantil, que tem como proposta uma reflexão sobre a vida e a morte, a amizade entre avô e neto, a saudade, a memória, a continuidade…

Com esse livro, espero contribuir para preservar ou despertar no leitor um olhar natural sobre o fenômeno que mais assusta os adultos.

Falar, pensar, perguntar e não ter respostas…

Viver, experimentar, acolher a dúvida, o medo, a incerteza…

Imaginar, criar, desfrutar….

Descobrir, inventar, enfrentar o desconhecido.

Ser, existir, sentir.

Viver a vida e viver a morte.

Porque a morte faz parte da vida e é também bonita no seu mistério (ou na minha fantasia?).

“E que as crianças cantem livres sobre os muros e ensinem o sonho ao que não pode amar sem dor”

E que as crianças cantem livres, que não sejam privadas do conhecimento, da dúvida, da incerteza…que não sejam poupadas da vida. Que sejam bem iluminadas para que possam escolher seu  próprio caminho, que cresçam por fora e por dentro, que experimentem, que sintam e que pensem.

Convite

A “História de Pedro e Vovô Zeca” oferece a crianças, pais e educadores, de forma sensível e objetiva, uma oportunidade rara de reflexão sobre um dos assuntos mais difíceis para os seres humanos: a morte.

Sem negar sentimentos ou afirmar modelos de crenças, o livro se utiliza de simbolismos que despertam nossa consciência para temas presentes no cotidiano.

Com uma linguagem simples, esse livro foi escrito especialmente para as crianças e suas ilustrações podem ser coloridas pelo leitor.  A participação da família nessa leitura não é obrigatória, mas certamente renderá boas conversas.

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A percepção da passagem do tempo

“Um tempo que fosse abstrato e a-social nunca poderia abarcar lembranças e não constituiria a natureza humana. É esse, que ouvimos, tempo represado e cheio de conteúdo, que forma a substância da memória.” Bosi (1994, p. 422)

A percepção da passagem do tempo se dá através da observação das mudanças ocorridas nos outros e no meio no qual o indivíduo vive. Bosi (1994), destaca que a memória “é toda dividida por marcos, pontos onde a significação da vida se concentra: mudança de casa ou de lugar, morte de um parente, formatura, casamento, empregos, festas.”

Peixoto, demonstra em sua pesquisa a percepção da passagem do tempo por suas personagens, através da observação do crescimento das crianças e do desaparecimento de companheiros da praça. Segundo a autora, as transformações físicas observadas nos outros, permitem a percepção das mudanças ocorridas em si mesmo. Ou seja, o efeito das ações do tempo sobre o outro reflete o efeito das ações do tempo sobre si mesmo. “A lembrança, significa, então, a inscrição no tempo presente e, consequentemente, a inserção no processo de representação da idade” (2000: 92). Assim, lembrar significa reconhecer a passagem do tempo e, portanto, reconhecer-se mais velho.

As pessoas utilizam a expressão “no meu tempo“  para designar o período da vida no qual desempenhavam plenamente suas atividades e realizavam seus projetos (Beauvoir, 1990). Para Simone de Beauvoir, o homem idoso se considera um sobrevivente, pois tem limitações e é improdutivo. O “seu tempo”, era a época em que ele se considerava uma pessoa inteira, vivendo plenamente. Bosi (1994), não concorda com Beauvoir, pois considera sua visão pessimista e acredita que ela não se aplica a todas as pessoas. O velho não se sente necessariamente um sobrevivente, limitado e improdutivo. Bosi (1994) demonstra, por meio dos depoimentos dos idosos que entrevistou, que muitas pessoas têm uma velhice ativa e se sentem integradas com o tempo em que vivem, utilizando a expressão “no meu tempo” apenas  para se referir ao passado. O velho pode considerar que seu tempo já passou e que ele, agora, é um sobrevivente debilitado que já não vive plenamente ou pode sentir-se vivo, ativo e participante do tempo atual.

De qualquer maneira, percebendo a passagem do tempo e os efeitos dessa passagem sobre si mesmo, o indivíduo se dá conta do quanto já viveu e do quanto lhe resta de vida. Voltar-se para o passado, para as recordações das experiências vividas, viver o presente intensamente, refletir ou não sobre suas realizações, aguardar conformadamente pelo fim da vida ou tentar ignorar a possibilidade da morte são algumas atitudes possíveis por meio das quais os velhos podem  lidar com a idéia da própria finitude.

Para Lins de Barros, “a pessoa realiza revisões sucessivas durante a vida e a revisão nessa etapa [na velhice] parece se dar também em função do conhecimento do fim da vida e da proximidade da morte. A presença da morte já faz parte desse momento da vida: vários parentes e amigos de sua geração já morreram, bem como, evidentemente, das gerações ascendentes. Essa presença por si só traz a força da revisão da vida e também a familiaridade com a idéia do fim“. (1987: 94-95).

Falar de si mesmo, nesta fase da vida, é, de acordo com Lins de Barros (1987), que pesquisou mulheres idosas e avós, uma maneira de rever o passado e também de transmitir  conhecimentos e experiências às gerações mais jovens. Deixar um ensinamento aos mais jovens é uma forma de “marcar” sua existência no mundo, de se eternizar, pois seus conhecimentos, suas reflexões e suas experiências de vida permanecerão, além da sua morte, por meio de seus “discípulos” que podem ser seus filhos, netos, sobrinhos, alunos, vizinhos e amigos.

Entretanto, se fazer presente entre os mais jovens e transmitir-lhes seu conhecimento de vida não é, de uma maneira geral, empreitada fácil para o velho. Lins de Barros (1987) destaca que cada geração tem seu estilo de vida e a convivência entre pessoas de gerações diferentes  pode gerar conflitos. Em sua pesquisa com avós a pesquisadora mostra que “a luta pelo poder na família adquire, para esses avós, a conotação de uma luta contra a própria idéia de velhice decrépita e assistida” (idem: 98). A recusa dos conhecimentos do velho é, de certa forma, uma negação do significado de sua existência. Se as suas experiências de vida não têm valor, sua vida não teve importância.

A valorização das experiências de vida do idoso é possível quando o mais jovem as considera necessárias e importantes para o seu próprio desenvolvimento.

Bibliografia Citada:

Beauvoir, S. A Velhice. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1990.

Bosi, E. Memória e Sociedade: lembranças de velhos. São Paulo:Companhia das Letras, 1994.

Lins de Barros, M. M. Autoridade e Afeto: avós, filhos e netos na família brasileira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 1987.

Peixoto, C. E. & Singly, F. & Cichelli, V. Família e Individualização. Rio de Janeiro: FGV, 2000.

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“pois o que antes era amargo se converteu em doçura da alma e do corpo”

Adriça e Joana“Lá vai São Francisco
Pelo caminho
De pé descalço
Tão pobrezinho
Dormindo à noite
Junto ao moinho
Bebendo a água
Do ribeirinho

Lá vai São Francisco
De pé no chão
Levando nada
No seu surrão
Dizendo ao vento
Bom dia, amigo
Dizendo ao fogo
Saúde, irmão

Lá vai São Francisco
Pelo caminho
Levando ao colo
Jesus Cristinho
Fazendo festa
No menininho
Contando histórias
Pros passarinhos”

São Francisco / Vinicius de Moraes

Breve biografia:

Filho de comerciante , Giovanni di Pietri nasceu em Assis, na Itália, entre 1881 e 1882.

Teve seu nome mudado para Francisco, em homenagem à França, país onde seu pai realizava bons negócios.

Por volta dos 20 anos, Francisco começou a se desligar do mundo material, se dedicando a ajudar aos pobres e aos doentes e trabalhando na reconstrução das igrejas de São Damião, de Santa Maria dos Anjos e de São Pedro.

Seu pai, Pietri Bernardone, inconformado com o estilo de vida que Francisco adotara, pediu a ele que lhe devolvesse todo o dinheiro utilizado na caridade. O rapaz, então abriu mão da herança paterna e, despindo-se em praça pública disse: “doravante não direi mais pai Bernardone, mas Pai nosso que estás no céu”.

Em 1210, Francisco funda a sua Primeira Ordem: a “fraternidade dos irmãos menores” fundamentada nos votos de pobreza e de humildade. Em 1212, é fundada a Segunda Ordem: “fraternidade das pobres damas”, por iniciativa de Clara de Favarone e sua irmã Inês.

A Ordem Terceira Secular, fundada em 1220, era dedicada aos homens e mulheres que desejavam seguir Francisco mas não podiam se tornar freiras e frades.

A Ordem Franciscana cresceu rapidamente.

Francisco de Assis morreu em 03 de outubro de 1226 e foi canonizado em 1228 pelo Papa Gregório IX.

O dia de homenagem à São Francisco de Assis é 04 de outubro, dia de seu sepultamento.

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Algumas virtudes estão além da capacidade humana. A Oração da Paz, atribuída à São Francisco de Assis é um exemplo da superioridade canina. Quantos homens você conhece que atingiram esse estado de pureza? Todos os meus amigos caninos foram atendidos com essa oração.

“Senhor! Fazei de mim um instrumento da vossa paz.
Onde houver ódio, que eu leve o amor.
Onde houver ofensa, que eu leve o perdão.
Onde houver discórdia, que eu leve a união.
Onde houver dúvidas, que eu leve a fé.
Onde houver erro, que eu leve a verdade.
Onde houver desespero, que eu leve a esperança.
Onde houver tristeza, que eu leve a alegria.
Onde houver trevas, que eu leve a luz.

Ó Mestre, fazei que eu procure mais:
consolar, que ser consolado;
compreender, que ser compreendido;
amar, que ser amado.
Pois é dando que se recebe.
É perdoando que se é perdoado.

E é morrendo que se vive para a vida eterna”.

Pois é, os cães são assim.

Esse post é uma homenagem aos meus maiores amigos: Adriça, Joana, Moqueca Luiz, Guga, Nina, Nino, Chico, Kiko, Flock, Soneca (in memorian), Xereta (in memorian),  Bambina (in memorian), Tobie (in memorian), Cardoso, mais conhecido como Gordo (in memorian), Teca (in memorian), José (in memorian) e, especialmente, ao Dunga (in memorian), nosso saudoso líder Zen, atrapalhado, espaçoso, babão, sem noção e… Deixa pra lá. Não cabe em palavras.

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